É saudade o que eu sinto

E quando é noite eu minto
a alegria que finjo
É saudade o que sinto

Quando vejo seu jeito
e trejeitos
nas outras que desejo.

E quando digo
o que elas querem ouvir,
penso em ti.

E o seu olhar me persegue
Enquanto a noite segue

Penso então em tudo que queria te falar
e no queria escutar
Se algum dia novamente eu te encontrar.

Quem sabe a gente se esbarre em algum canto.
Quem sabe tenhamos de novo encanto.
Ou quem sabe eu me desencanto.

Gosto da honestidade de atos espontâneos

Gosto da honestidade de atos espontâneos
Do abraço apertado de saudade
Da gargalhada incontrolável
Do vermelho da timidez
Do eu te amo que sai sem querer
Dos palavrões no grito de gol
Da mudança de comportamento irreprimível por ciúme bobo
Das declarações amorosas feitas por medo de perder
Dos sustos num filme de terror
Da lágrima indesejada de felicidade
Da emoção sentida numa festa surpresa
Da alegria sentida no recebimento de uma mensagem inesperada
Da impulsividade de uma mensagem enviada
Das desculpas de arrependimento
Dos versos, como esse, feitos por inspiração

 

Atualização

Antes “Era uma vez…”
Agora é quando te segui
Ou te adicionei.

Antes “Eu te amo” tinha significado.
Agora o que significa
São curtidas
E comentários.

Antes os relacionamentos terminavam
E as pessoas se separavam.
Agora elas se excluem
Ou se bloqueiam.

E o antigo “Felizes para sempre”,
Já não dura tanto tempo assim

Encontros, desencontros e reencontros

Quando nos desencontramos
De outros
Nos encontramos

Nos achamos
Quando nos perderam

Depois nos reencontramos
Num encontro
O que depois de tantas vezes
Não poderia mais ser chamado de encontro

Um caso

Que depois de tantos casos
Ao acaso
Que se tornaram nada menos que descaso

Nós ficamos

Ficamos
Como ficamos com outros
Que não ficaram

Depois de tantos
Entretantos
Em idas e voltas
Nos assustamos

Porque não queríamos mais desencontros
Reencontros
Ou novos encontros

Porque depois de tantos casos
De descasos
Nós só queríamos ficar

Ficar
Onde o outro está