É que sou ariano com ascendente em virgem

Sou uma pessoa difícil. Meus melhores amigos sempre foram uma xícara de café quente e um copo de cerveja gelada. Gostos extremos e opostos que refletem também um pouco de mim. Acontece que sou ariano com ascendente em virgem, não sei bem o que isso significa, mas parece afastar as pessoas.

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Labirinto de saídas

Ela é uma espécie de labirinto às avessas e todos os caminhos levam à saída da sua vida. E por mais que eu me esforce pra me perder e ficar preso nele por anos, há um sistema de autodefesa, algo meio-sem-querer-feito-de-propósito, que não me deixa permanecer e tá sempre me mostrando como ir embora. Sabe, né!? São resquícios imunológicos herdados de outros que por lá passaram, ou até meus.

Exageros

Quando estávamos juntos nos dávamos bem, dificilmente brigávamos, mas morávamos distantes e a distância, quando se é adolescente, por mais curta que seja, se transforma em quilômetros. Os dias sem ser ver parecem anos, décadas e séculos. É a fase do exagero. A fase dos extremos: ou se está triste demais ou feliz demais. O amor se torna infinito, mas se o relacionamento termina, a pessoa acha que perdeu um órgão vital. Fica difícil viver, fica difícil respirar.

Amor, tá acordado?

– Amor, tá acordado?
Ele ainda dorme.
– Amor, acorda!
Nada.
– Amor!
Ele acorda.
– Amor, tá acordado?
Ele grunhi algo.
– Amor, tô com sede, tem como pegar água pra mim?
“Amor, são três da manhã”, ele pensa em dizer, mas acredita que aquilo não seja um pedido. Então, contrariado, levanta e vai à cozinha, enche um copo com água e volta à cama pensando novamente em dormir. Mas se ela está acordada até essa hora é porque não consegue dormir, e, certamente usou o copo d’água como pretexto. Então, ele deita e fecha os olhos.
– Amor, sabe o que eu tava pensando?
– Hum. Ele responde.
Ela fala até ele perder o sono e logo após adormece.

Coincidências irônicas do destino

Cá estou eu, me apegando a palavra Maktub e me perguntando: “Estamos realmente destinados?”. Talvez seja mesmo o destino e nisso começo a crê, em mais um desses acontecimentos que ousamos não compreender e ousamos também chamá-los de coincidência, para assim dizer, que não tenha sido nada de mais. Mas ouço Deus rindo e dizendo que talvez tenha sido uma coincidência irônica ou uma ironia do destino.

Mais uma vez o orgulho venceu

Eu sei, que assim como eu, você também segura o celular em mãos esperando ansiosamente que ele toque ou esperando ter coragem para me ligar. Estamos uns dias sem nos falarmos, por conta; de uma briga que o motivo eu não lembro mais. Ciúmes? Mentira? O que era mesmo? Talvez nem você se lembre, mas não estamos nos falamos.
E eu não te ligo e digo o porquê, porque meu orgulho diz que eu estava certo, mas também és orgulhosa e não vai me ligar porque não assume estar errada. Ou será que é o oposto? Somos orgulhosos! Sentimos saudades e até esquecemos o motivo da briga, mas não conseguimos esquecer nosso orgulho.

Olhos que falam

Enquanto os amigos conversam, ele fica em silêncio e me encara. Me encara como se soubesse o que eu estou pensando. Será que sabe?! Desvia o olhar naquele momento que eu retribuo. Mas antes de desviar, fala com os meus olhos por longos décimos de segundos. E como aqueles olhos castanhos escuros sabem se comunicar! Talvez, se fossem claros não se comunicariam de forma tão intensa assim. Continuo o observando, enquanto ele leva o copo de cerveja à boca, dá um belo de um gole e depois volta a cerveja à mesa. É do tipo que sabe beber! Diz algo gesticulando aos amigos, com gestos rápidos. Típico de quem quer ser visto. Volta a me olhar, então é minha vez de desviar o olhar. Uso, então, gestos pra me comunicar. Levo com a mão direita o cabelo pra trás da orelha, abaixando levemente a cabeça e sorrindo. Acabo me entregando. Ele me encara novamente. Retribuo. Nossos olhos conversam por alguns segundos, até que ele vem ao meu encontro.

Desculpas de antemão

Antes de começarmos isso, eu quero te pedir desculpas de antemão. Acredite, o que mais quero é te ver feliz. Mas sei que errarei várias vezes contigo. É que sou tão complicado e imperfeito, que errarei por insegurança minha. Pois a acho tão perfeita, linda, inteligente, atraente e divertida, que acabarei me enrolando.
Peço desculpas também pelo ciúme bobo, que pode ocorrer algumas vezes, mas é só as outras pessoas entenderem que és minha. Não, eu não sou tão possessivo assim, sou apenas um pouco egoísta quando o assunto é você. E se te chamo de minha pequena, é por achar que o pequena soa melhor acompanhado do “minha”.
Peço que não se assuste quando me pegar fazendo planos ou me ver escolhendo em qual praia iremos casar num domingo de manhã. Também não ache que seja prematuro eu escolher o nome do nosso casal de filhos. É que sou assim, intenso demais e quando entro num relacionamento, espero que seja sem prazo de validade.

Distâncias

Não sei conviver com distância, nem física, nem emocional. Sou intenso demais e por mais que eu ame nossas longas conversas ao celular, nenhuma tecnologia vai me fazer tocar teus lábios, sentir teu cheiro, o macio dos seus cabelos ou me deixar aceitar um trago do seu cigarro pós-sexo virtual.
Ainda vivemos nesta irônica sintonia diferente, quando estamos longe, enfrentamos uma distância física; quando levantamos vôo e nos encontramos, ficamos longe emocionalmente e a pequena distância física que nos separa, parece ser um grande precipício.
Nós fazemos bem um ao outro quando estamos longe, porém se nos distanciarmos demais há uma força que nos puxa de volta, mas é só chegarmos perto novamente, que começam as faíscas, e quase sempre, uma tragédia emocional.