Foi o pior melhor relacionamento

Era o primeiro relacionamento sério de ambos. Era a primeira vez que ambos estavam realmente apaixonados. Era um namoro cheio de sonhos e planos, ainda que com duas pessoas iniciando realmente a vida. Não sabíamos a dimensão do mundo, nem as surpresas da vida e muito menos como ela iria nos agredir. Tínhamos uma visão poética do mundo, do futuro e de nós mesmos. Vivemos tudo que uma relação assim tem direito. Amor, confiança, sexo, brigas, términos, voltas, traições, insegurança, desejo, ciúme, medo, paixão. Namoramos por cerca de cinco anos, com muitas inconstâncias e frustrações. Frustrações proporcionais ao aprendizado que tivemos. Tivemos as dificuldades de um namoro a distância. Tivemos um período de amor proibido. Tivemos um período em que parecíamos casados que moravam nas casas dos pais. Amamos, sofremos, choramos. Tudo com intensidade. Nos decepcionamos e nos magoamos mais do que qualquer outro namoro ou paixão que estivesse por vir. Foi a primeira vez que nos sentimos magoados, iludidos ou frustrados numa relação. Foi o aprendizado pra todas as próximas. Foram as primeiras vezes a sentir tais sentimentos. Era como descobrir um mundo nunca explorado por nós. Foi uma relação de sentimentos primordiais. Foi a pior relação. Foi a melhor relação. Hoje, podemos até termos as mesmas emoções, mas não os mesmos sentimentos, se são maiores ou menores agora, são dos aprendizados que essa nos trouxe.

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Quem ama implica

Eu poderia defini-la como uma pessoa contraditória. Quando ela disser “Ok”, esqueça, está longe de estar Ok. Quando ela diz não é nada, certamente foi algo. E quando ela usar aquele emoji do Jóia numa mensagem é melhor escolher bem as suas próximas palavras. Quando ela disser que não quer conversar, ela quer, ela só não quer falar, mas quer ouvir, e quer ouvir da sua voz tudo que ela quer escutar, não o que você tem a dizer. Ela costuma dizer: “quem ama implica”, isso a resume bem. Ela vai implicar com seus gostos, mas é provável que ela esteja agora ouvindo aquela música ou a banda que ela disse que não gostava. E quando ela usar “idiota” no final de alguma frase, não se assuste, ela quis dizer que te ama, mas “eu te amo” virou uma expressão tão convencional que ela criou sua própria forma.

Por que você saiu da minha vida?

Ela se questiona sobre a pergunta que fiz e responde: “Eu não sei o porquê… Talvez tenha ficado com medo. Novamente nós estávamos apressando as coisas. Você entende, né?”. Não, eu queria, gostaria, mas não entendo. Ela continua: “É irônico. Eu saí da tua vida, mas andei te procurando. Te procurei em bares, boates e camas desconhecidas. Evitava-te, mas te procurava… Procurava nesses tipos parecidos contigo; desleixados, com o cabelo bagunçado, descompromissados e de barba por fazer. É engraçado, nem os que se parecem contigo são como você.”. Sorri. “Eles não têm esse sorriso canto de boca que você tem, digno de quem se sente superior aos demais, ou quando ri timidamente como você. Nenhum deles tinha esse olhar hipnótico e desconfortável ao mesmo tempo. É perturbador e encantador te olhar nos olhos…”. É isso que ela diz depois de termos nos encontrado numa sexta-feira qualquer. Por acaso ou por querer. Não, o destino não seria tão filha-da-puta pra nos sacanear assim mais uma vez. Seria? Ela me conta o porquê fugiu da última vez, porque não telefonou e porque não quis mais nenhuma comunicação. Digo que fiquei preocupado e que me importei com o sumiço, mas eu a conheço tão bem que sempre que vai só fico preocupado esperando quando ela vai voltar. Porque eu sei que vai voltar. Mas não sei quando. Não sei se será numa segunda tranquila, numa sexta alcoolizada ou num domingo familiar. Eu a conheço melhor do que ninguém. Daqui a pouco ela vai dizer, de forma descompromissada como se nada tivesse acontecido “Estava pensando em você. Estava com saudades”. É assim que sempre faz. E parece que vem dando certo…