Conhecer alguém bem é maravilhoso

Conhecer alguém bem é algo maravilhoso. Eu não tô falando de saber o filme, gênero musical e comidas preferidas, isso nós descobrimos em algumas stalkeadas ou com perguntas no Curious Cat. Eu digo sobre saber que a pessoa gosta de cinema, mas prefere assistir filme na fileira H cadeira 8. É saber que seu filme preferido é “Se7en: os sete crimes capitais”, mas que ela assiste a “Questão de Tempo” toda vez que está triste. É saber que ela ama Legião, mas prefere ouvir “Por Enquanto” na voz da Cássia Eller. Porém se irrita quando alguém diz que a música é dela. É saber que ela sabe todos os erros e falas do Renato Russo no álbum “Como é que se diz eu te amo”. É saber que ela discorda, rebate ou desconversa ao invés de agradecer um elogio. É saber distinguir seu riso espontâneo de uma risada forçada ou controlada. É entender pelas suas expressões faciais que ela está preocupada com algo. É saber que quando ela passa a mão direita no cabelo quer dizer que ela está tímida, mas quando passa a esquerda está desconfortável. Conhecer alguém bem vai muito além de perguntas e respostas sobre o que a pessoa gosta ou que não gosta. Na verdade, conhecer alguém bem é a ausência de perguntas.

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A beleza é como nosso filme preferido

Imagine a beleza como seu filme preferido. Você assiste a primeira vez e se apaixona. Então, assiste outras vezes, fica mais apaixonado, e começa a notar detalhes que antes não tinha observado. Assiste mais e mais vezes, até que chega um momento que as cenas e os perfeitos diálogos estão todos decorados. O filme não ficou ruim. O filme não perdeu nada. Você apenas se acostumou ao filme e assim também é com a beleza. E quando nos acostumamos com a beleza é necessário que os diálogos continuem perfeitos e que não se mude o roteiro.

Será que ela não assistiu Hitch?

Tivemos uma tarde sem defeitos. Foram horas de conversa. Horas que passaram em questão de minutos. A tarde foi cheia de olhares, gestos e sorrisos. Logo após fui deixá-la em casa. Chegamos ao portão de sua casa e ficamos conversando. Eu esperava o tempo todo pelo momento em que ela pegaria a chave. Não pegou. Nos despedimos com um forte e demorado abraço. Mas continuamos conversando e nada dela pegar, mexer, balançar, deixar cair, sacudir a maldita chave. Será que ela tinha chave? Ou será que ela não assistiu Hitch: conselheiro amoroso?. O sinal de que você quer um beijo é mexer na chave. Mais uma vez nos despedimos. Dessa vez com um beijo no rosto e um abraço mais longo. O segundo em menos de minutos. Era esse o sinal? Será que Hitch estava errado? Depois que a soltei, virei às costas e saí caminhando. Então escuto o maldito barulho da chave. Continuo caminhando. Percebo a imensa dificuldade dela em abrir a porta. Continuei andando. Ouço o barulho da chave caindo…  Era tarde demais pra ser um sinal.

 

Remakes

Estava tendo constantemente a sensação de déjà vu, até perceber que estava vivendo um remake de um passado remoto da minha própria vida. Eu já tinha vivido tudo aquilo, mas há tempos, então não me lembrava bem desse roteiro, as mudanças nos atores coadjuvantes também não contribuíam pra que eu me lembrasse. Eu também mudei um pouco desde então, envelheci, e esse novo eu vivia essa experiência pela primeira vez, mas a constante sensação de déjà vu dizia que eu já vivi aquilo tudo. Era mesmo um remake, e assim como os remakes atuais não tinha uma melhora significativa. Embora eu estivesse feliz em alguns momentos, era um remake, o roteiro era o mesmo. Aos poucos eu comecei a me lembrar do que aconteceria, coincidentemente quando estava perto do fim, do término.