Ela

pequena e fragil

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A reencarnação morena de Helena

Há algo no jeito dela falar, sorrir e gesticular que a torna encantadora. Parece que todos os detalhes são milimetricamente calculados, tornando-os tão perfeitos, que se estivéssemos na Grécia antiga, poderíamos estar perante uma semideusa, filha de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Seria ela a reencarnação morena de Helena, a musa de gregos e troianos? É possível que ainda hoje tenha parentesco com algum deus, isso explica o universo conspirar para torná-la mais atraente. Seja o Sol, quando toca seu rosto realçando os tons dos seus olhos castanhos ou o brilho dos seus longos cabelos negros. Cabelos esses que o vento aprecia toca-los, sempre soprando-os com leveza. Enquanto, eu, sou sempre o cara que o sol atrapalha ou incomoda, aquele que o vento joga poeira nos olhos. Seria inveja? Inveja porque sou eu que estou com ela, é a minha mão que ela segura e são meus lábios que a boca dela toca.

Não repara a bagunça

Na primeira vez que fui à casa dela, ela me disse o clichê: “Entra e não repara a bagunça”. É lógico que eu reparei, era a primeira vez que estava ali. Mas não tinha bagunça. Estava tudo muito organizado. Demorei um tempo até entender que ela não falava da casa. Falava dela. Da bagunça de sentimentos que era atrás daquelas roupas, acessórios e batom organizadamente combinados. Porque como Boa virginiana; a casa, o guarda-roupa e a agenda eram todas sistematicamente organizadas.

Ela é tímida

Ela é tímida. Odeia ser vista. Mas como eu gosto de observá-la. Sempre gostei de garotas assim, dessas que se escondem, que não querem chamar atenção e fazem um esforço tremendo pra isso. É uma pena! Elas são as que mais deveriam ser enxergadas. Pobres tolos e ingênuos mortais são aqueles que almejam as que mais clamam por atenção, dessas que acreditam fielmente que precisam ser vistas para serem notadas, elas fazem um esforço tremendo para aparecer, mas não têm nada a oferecer. Eu prefiro as que se escondem. Aliás, os tesouros mais valiosos são os mais escondidos.

Uma playlist do Cazuza em modo aleatório

Calma e serena, esse era o significado do nome dela. Claramente um erro de cálculo dos pais, não tem como uma ascendente em Áries ser assim. Ela estava mais pra uma playlist do Cazuza em modo aleatório. Uma confusão de emoções e sentimentos. Uma turbulência! E foi isso que perguntei, com todas as interrogações que eu tinha direito: “Que turbulência é você???”. Enfim, serena e calma, ela respondeu: “Um voo tranquilo nunca fez ninguém repensar sua vida”.

Quem ama implica

Eu poderia defini-la como uma pessoa contraditória. Quando ela disser “Ok”, esqueça, está longe de estar Ok. Quando ela diz não é nada, certamente foi algo. E quando ela usar aquele emoji do Jóia numa mensagem é melhor escolher bem as suas próximas palavras. Quando ela disser que não quer conversar, ela quer, ela só não quer falar, mas quer ouvir, e quer ouvir da sua voz tudo que ela quer escutar, não o que você tem a dizer. Ela costuma dizer: “quem ama implica”, isso a resume bem. Ela vai implicar com seus gostos, mas é provável que ela esteja agora ouvindo aquela música ou a banda que ela disse que não gostava. E quando ela usar “idiota” no final de alguma frase, não se assuste, ela quis dizer que te ama, mas “eu te amo” virou uma expressão tão convencional que ela criou sua própria forma.

Coisa de Mulher

Mulher é assim, amigo: você tem que entender o que ela quis dizer e não o que ela falou. Mas não é “tão simples” assim, você também tem que entender o que ela não fala. Tem que decifrá-la. Porque elas querem alguém que as conheça bem, mas, ao mesmo tempo, temem quando isso acontece. Imagina o quão assustador deve ser alguém te conhecer tão bem, que interprete o seu olhar e entenda até o que você não quis falar. Sentirão prazer e ficarão receosas pelo mesmo motivo. Serão momentos de: “Não foi isso. Você entendeu errado” com outros de: “Você me conhece bem, deveria ter percebido”.

Turrona

Ela é pequena e teimosa, do tipo turrona. Nem de humanas, nem de exatas. É de complicadas. De fácil irritabilidade, do tipo que bate o pé, faz birra, se recusa a falar, escutar, conversar e fecha a cara fazendo bico com toda a autoridade do mundo. Contra ela não há argumentos! Não dá o braço a torcer e nem admite estar errada. Está certa até quando erra. Só é fácil pra perder a paciência. Perde como se fosse um par de brincos pequenos, e depois de perder, não quer saber e muito menos a minha opinião sobre onde está, digo sobre a paciência, não os brincos. Os brincos ela sempre irá procurar, não sai de casa sem eles.

Das coisas que eu odeio em você

Quero dizer que odeio teus lábios pequenos e carnudos. Odeio todos os tons desses teus olhos castanhos. Odeio cada fio e milímetro desses teus longos cabelos pretos. Odeio a perfeição do seu nariz e essa simetria impecável do seu rosto. Odeio o quanto eu te acho linda e como não consigo esconder isso.
Odeio esse teu riso e a forma que ele é contagiante. Odeio o tom doce da sua voz e a forma que ela me tranquiliza. Odeio como esse teu sotaque fica lindamente arrastado quando acorda e de como puxa o erre pra falar amorrr.
Odeio como perde a paciência facilmente e logo fica irritada. Odeio como se torna irredutível. Odeio o teu silêncio apos uma discussão e mesmo te conhecendo bem não sei como agir quando fica assim.
Odeio ainda mais quando contrai os lábios fazendo bico igual uma criança mimada. Odeio porque fica linda e esse bico só está acompanhado de você quando está brava.
Odeio quando me liga após dizer pra eu não te procurar, e que ligou só pra saber se está tudo bem, mas que não tem nada a ver.
Odeio porque mostra de várias formas diferentes o que sente, mas prefere esconder, desconversar ou fingir.
Odeio quando brigamos e não estamos nos falando e seu nome parece multiplicar, e/ou todo mundo resolve escutar “nossas músicas” do Matheus e Kauan. Parece haver um complô pra que eu pense e lembre de você. Como se eu precisasse de ajuda. Como se eu não conseguisse fazer isso sozinho. Como se fosse possível te esquecer. Como se eu não passasse o tempo todo pensando.