Em nada ela é simples

Eu te amo! E te amo, porque eu conheço seus defeitos e pouco me importa se eles são incompatíveis com os meus. Mas, eu também poderia dizer que é por causa da simetria perfeita do seu nariz, das curvas no seu corpo, das pintinhas espalhadas pelo busto, dos olhos castanho-esverdeados, desse teu olhar forte e do sorriso cativante.
Você é extremamente linda, mas sempre discorda quando eu digo, fica tímida e em silêncio, e depois sem convicção diz: “eu não sou linda”.
Ela é complicada e sensível, mas tem medo de sentir, é contida. Uma falante de entrelinhas. Mimada e complicada, com uma personalidade forte, que me enlouquece. De um orgulho desproporcional ao seu tamanho e de uma teimosia maior ainda.
É extremamente irredutível, pode até assumir que não estava certa, mas nunca vai dizer que estava errada. Discutir com ela não é simples. Aliás, em nada ela é simples.
Se nela viesse um rótulo, estaria em destaque: “Efeito colateral: Pode causar grandes transtornos psicológicos.” e nada de: “Cuidado: Frágil!”, apesar do tamanho aparentar.

A reencarnação morena de Helena

Há algo no jeito dela falar, sorrir e gesticular que a torna encantadora. Parece que todos os detalhes são milimetricamente calculados, tornando-os tão perfeitos, que se estivéssemos na Grécia antiga, poderíamos estar perante uma semideusa, filha de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Seria ela a reencarnação morena de Helena, a musa de gregos e troianos? É possível que ainda hoje tenha parentesco com algum deus, isso explica o universo conspirar para torná-la mais atraente. Seja o Sol, quando toca seu rosto realçando os tons dos seus olhos castanhos ou o brilho dos seus longos cabelos negros. Cabelos esses que o vento aprecia toca-los, sempre soprando-os com leveza. Enquanto, eu, sou sempre o cara que o sol atrapalha ou incomoda, aquele que o vento joga poeira nos olhos. Seria inveja? Inveja porque sou eu que estou com ela, é a minha mão que ela segura e são meus lábios que a boca dela toca.

Não repara a bagunça

Na primeira vez que fui à casa dela, ela me disse o clichê: “Entra e não repara a bagunça”. É lógico que eu reparei, era a primeira vez que estava ali. Mas não tinha bagunça. Estava tudo muito organizado. Demorei um tempo até entender que ela não falava da casa. Falava dela. Da bagunça de sentimentos que era atrás daquelas roupas, acessórios e batom organizadamente combinados. Porque como Boa virginiana; a casa, o guarda-roupa e a agenda eram todas sistematicamente organizadas.

Ela é tímida

Ela é tímida. Odeia ser vista. Mas como eu gosto de observá-la. Sempre gostei de garotas assim, dessas que se escondem, que não querem chamar atenção e fazem um esforço tremendo pra isso. É uma pena! Elas são as que mais deveriam ser enxergadas. Pobres tolos e ingênuos mortais são aqueles que almejam as que mais clamam por atenção, dessas que acreditam fielmente que precisam ser vistas para serem notadas, elas fazem um esforço tremendo para aparecer, mas não têm nada a oferecer. Eu prefiro as que se escondem. Aliás, os tesouros mais valiosos são os mais escondidos.

Uma playlist do Cazuza em modo aleatório

Calma e serena, esse era o significado do nome dela. Claramente um erro de cálculo dos pais, não tem como uma ascendente em Áries ser assim. Ela estava mais pra uma playlist do Cazuza em modo aleatório. Uma confusão de emoções e sentimentos. Uma turbulência! E foi isso que perguntei, com todas as interrogações que eu tinha direito: “Que turbulência é você???”. Enfim, serena e calma, ela respondeu: “Um voo tranquilo nunca fez ninguém repensar sua vida”.