Não repara a bagunça

Na primeira vez que fui à casa dela, ela me disse o clichê: “Entra e não repara a bagunça”. É lógico que eu reparei, era a primeira vez que estava ali. Mas não tinha bagunça. Estava tudo muito organizado. Demorei um tempo até entender que ela não falava da casa. Falava dela. Da bagunça de sentimentos que era atrás daquelas roupas, acessórios e batom organizadamente combinados. Porque como Boa virginiana; a casa, o guarda-roupa e a agenda eram todas sistematicamente organizadas.

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Ela é tímida

Ela é tímida. Odeia ser vista. Mas como eu gosto de observá-la. Sempre gostei de garotas assim, dessas que se escondem, que não querem chamar atenção e fazem um esforço tremendo pra isso. É uma pena! Elas são as que mais deveriam ser enxergadas. Pobres tolos e ingênuos mortais são aqueles que almejam as que mais clamam por atenção, dessas que acreditam fielmente que precisam ser vistas para serem notadas, elas fazem um esforço tremendo para aparecer, mas não têm nada a oferecer. Eu prefiro as que se escondem. Aliás, os tesouros mais valiosos são os mais escondidos.

Uma playlist do Cazuza em modo aleatório

Calma e serena, esse era o significado do nome dela. Claramente um erro de cálculo dos pais, não tem como uma ascendente em Áries ser assim. Ela estava mais pra uma playlist do Cazuza em modo aleatório. Uma confusão de emoções e sentimentos. Uma turbulência! E foi isso que perguntei, com todas as interrogações que eu tinha direito: “Que turbulência é você???”. Enfim, serena e calma, ela respondeu: “Um voo tranquilo nunca fez ninguém repensar sua vida”.

Quem ama implica

Eu poderia defini-la como uma pessoa contraditória. Quando ela disser “Ok”, esqueça, está longe de estar Ok. Quando ela diz não é nada, certamente foi algo. E quando ela usar aquele emoji do Jóia numa mensagem é melhor escolher bem as suas próximas palavras. Quando ela disser que não quer conversar, ela quer, ela só não quer falar, mas quer ouvir, e quer ouvir da sua voz tudo que ela quer escutar, não o que você tem a dizer. Ela costuma dizer: “quem ama implica”, isso a resume bem. Ela vai implicar com seus gostos, mas é provável que ela esteja agora ouvindo aquela música ou a banda que ela disse que não gostava. E quando ela usar “idiota” no final de alguma frase, não se assuste, ela quis dizer que te ama, mas “eu te amo” virou uma expressão tão convencional que ela criou sua própria forma.

Coisa de Mulher

Mulher é assim, amigo: você tem que entender o que ela quis dizer e não o que ela falou. Mas não é “tão simples” assim, você também tem que entender o que ela não fala. Tem que decifrá-la. Porque elas querem alguém que as conheça bem, mas, ao mesmo tempo, temem quando isso acontece. Imagina o quão assustador deve ser alguém te conhecer tão bem, que interprete o seu olhar e entenda até o que você não quis falar. Sentirão prazer e ficarão receosas pelo mesmo motivo. Serão momentos de: “Não foi isso. Você entendeu errado” com outros de: “Você me conhece bem, deveria ter percebido”.

Turrona

Ela é pequena e teimosa, do tipo turrona. Nem de humanas, nem de exatas. É de complicadas. De fácil irritabilidade, do tipo que bate o pé, faz birra, se recusa a falar, escutar, conversar e fecha a cara fazendo bico com toda a autoridade do mundo. Contra ela não há argumentos! Não dá o braço a torcer e nem admite estar errada. Está certa até quando erra. Só é fácil pra perder a paciência. Perde como se fosse um par de brincos pequenos, e depois de perder, não quer saber e muito menos a minha opinião sobre onde está, digo sobre a paciência, não os brincos. Os brincos ela sempre irá procurar, não sai de casa sem eles.

Das coisas que eu odeio em você

Quero dizer que odeio teus lábios pequenos e carnudos. Odeio todos os tons desses teus olhos castanhos. Odeio cada fio e milímetro desses teus longos cabelos pretos. Odeio a perfeição do seu nariz e essa simetria impecável do seu rosto. Odeio o quanto eu te acho linda e como não consigo esconder isso.
Odeio esse teu riso e a forma que ele é contagiante. Odeio o tom doce da sua voz e a forma que ela me tranquiliza. Odeio como esse teu sotaque fica lindamente arrastado quando acorda e de como puxa o erre pra falar amorrr.
Odeio como perde a paciência facilmente e logo fica irritada. Odeio como se torna irredutível. Odeio o teu silêncio apos uma discussão e mesmo te conhecendo bem não sei como agir quando fica assim.
Odeio ainda mais quando contrai os lábios fazendo bico igual uma criança mimada. Odeio porque fica linda e esse bico só está acompanhado de você quando está brava.
Odeio quando me liga após dizer pra eu não te procurar, e que ligou só pra saber se está tudo bem, mas que não tem nada a ver.
Odeio porque mostra de várias formas diferentes o que sente, mas prefere esconder, desconversar ou fingir.
Odeio quando brigamos e não estamos nos falando e seu nome parece multiplicar, e/ou todo mundo resolve escutar “nossas músicas” do Matheus e Kauan. Parece haver um complô pra que eu pense e lembre de você. Como se eu precisasse de ajuda. Como se eu não conseguisse fazer isso sozinho. Como se fosse possível te esquecer. Como se eu não passasse o tempo todo pensando.

Ela é um daqueles problemas complexos

Não se deixe enganar pelo belo par de olhos castanhos e nem pelo sorriso largo. Ela é um daqueles problemas complexos, do qual é perigoso e um tanto prazeroso tentar desvendar.
Tem a indecisão como uma grande amiga, quer e não quer, ou quer, mas não sabe se deve querer. Na certa, quer(ia). A insegurança também faz parte do círculo de amizades, piorada por frustrações e decepções anteriores. Por conta disso, e por medo de mais uma vez se enganar, acha mais sensato disfarçar e fingir o que sente, às vezes, até consegue ser extremamente indiferente.
Ser contida é uma das suas qualidades. Embora variavelmente ela acha que não seja. E, apesar de ser contida, fala por entrelinhas, e como usa entrelinhas, às vezes, se confunde. E que confusão ela faz!
Sabe que o mundo não gira em torno dela, embora ache isso um erro. Mas não a culpo por isso, herdou a beleza de deusas gregas, uma junção de Afrodite e Helena. E assim como os deuses têm seus desejos atendidos. Isso até explica o jeito um tanto mimada. Mas o que, nós, meros mortais podemos fazer perto da beleza de uma divindade? Nada que não seja apenas tentar atender o seu desejo, o que diferente dos deuses, nem requer sacrifícios.

Pequena

Ela é pequena. 1,58 bem distribuídos. Diz pra todos que tem 1,60. Não acreditem.
Gosta de usar salto. Diz sentir-se alta quando os usa. Prefiro-a sem eles. Não por me sentir menor por ela ficar da minha estatura, mas porque amo chamá-la de pequena, e sem os saltos o apelido se justifica. Sem eles o abraço dela se encaixa perfeito ao meu. Sinto sua cabeça contra meu peito como numa perfeita junção de um quebra-cabeça. Também gosto de olhá-la de cima para baixo, assim a vejo; pequena e frágil, daquelas que precisam ser cuidada. Pura Ironia. Ela é pequena, mas se engana quem a ache frágil. Ela quer que alguém que cuide dela, mas sabe se cuidar perfeitamente bem sozinha.
Esqueça! Não tem como ganhar uma discussão dela. Ela bate o pé. Não gosta de estar errada, e com certeza quando assumir a culpa, ela vai dizer que você perdeu a razão em algum momento da discussão. Ela precisa de tempo e espaço, não gosta de ser pressionada. Dê tempo e espaço, mas não muito. Ela não gosta de se sentir abandonada. Eu sei, é complicado. Ela me avisou antes. Confesso que achei que não era tanto.
Ela é insegura, mas é segura de si. Sabe a mulher que é. Desperta interesse de milhares. Diz que são só amigos, mas eu e eles sabemos que eles só esperam um erro, um vacilo e uma discussão pra estender o braço, o colo, o peito…
Ela consegue explicar e te fazer entender que o ciúme dela por uma xícara de café, um filme e uma música tem cabimento. Mas não tente explicar o seu ciúme a ela. Ela vai dizer que não tem nada a ver ou que você tá vendo coisas.
Ela sabe que é mimada e não esconde de ninguém. Não se acha egocêntrica, mas faz com que o mundo ande como ela quer. Faz birra e têm horas que parece uma criança. E assim como para as crianças não podemos prometer o que não podemos cumprir. Fica decepcionada.
Carrega todas suas decepções amorosas no pequeno par de olhos castanhos melancólicos. Não que sejam menos belos por isso. Carrega toda a coragem embaixo de um rímel, blush, um batom forte extravagante e um sorriso. E que sorriso, meu amigo…