Foi o pior melhor relacionamento

Era o primeiro relacionamento sério de ambos. Era a primeira vez que ambos estavam realmente apaixonados. Era um namoro cheio de sonhos e planos, ainda que com duas pessoas iniciando realmente a vida. Não sabíamos a dimensão do mundo, nem as surpresas da vida e muito menos como ela iria nos agredir. Tínhamos uma visão poética do mundo, do futuro e de nós mesmos. Vivemos tudo que uma relação assim tem direito. Amor, confiança, sexo, brigas, términos, voltas, traições, insegurança, desejo, ciúme, medo, paixão. Namoramos por cerca de cinco anos, com muitas inconstâncias e frustrações. Frustrações proporcionais ao aprendizado que tivemos. Tivemos as dificuldades de um namoro a distância. Tivemos um período de amor proibido. Tivemos um período em que parecíamos casados que moravam nas casas dos pais. Amamos, sofremos, choramos. Tudo com intensidade. Nos decepcionamos e nos magoamos mais do que qualquer outro namoro ou paixão que estivesse por vir. Foi a primeira vez que nos sentimos magoados, iludidos ou frustrados numa relação. Foi o aprendizado pra todas as próximas. Foram as primeiras vezes a sentir tais sentimentos. Era como descobrir um mundo nunca explorado por nós. Foi uma relação de sentimentos primordiais. Foi a pior relação. Foi a melhor relação. Hoje, podemos até termos as mesmas emoções, mas não os mesmos sentimentos, se são maiores ou menores agora, são dos aprendizados que essa nos trouxe.

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Reflexo de uma geração

Tenho me sentido muito impotente. Sinto-me como se estivesse velho demais pra recomeçar e jovem demais pra desistir de tudo. Sinto que preciso de uma guinada, uma mudança. Quero algo diferente. Porém sinto que com o passar dos anos me tornei um velho de pouca idade. Sinto-me engessado e temendo por mudanças. Estou acomodado e hoje represento bem a geração em que fui criado. Sinto-me preso a um presente que eu não quis, mas aos poucos fui me acomodando.

Acumulando problemas

Sempre me considerei forte emocionalmente, embora isso seja uma enorme mentira. É que dificilmente saio gritando meus medos. E acredito que a maioria das pessoas têm problemas maiores que os meus. Então, sempre acho que consigo suportar mais, escutando e tentando ajudar com os problemas alheios, seja enxugando lágrimas, evitando que elas caiam ou buscando arrancar um sorriso onde não há motivo pra sorrir. Mas todos os meus medos, angustias e frustrações são guardadas comigo. Nem os mais próximos sabem. Até podem perceber que algo possa estar errado, mas logo digo algo superficial e depois uma piada pra mostrar que estou bem. E assim vou juntando meus problemas e os problemas alheios. Guardando. Acumulando. Até que um dia eles estouram. As lágrimas são inevitáveis. E no momento elas se confundem com a água caindo no chuveiro.

Autossabotagem

Querofobia é o nome dado pra quem tem medo de ser feliz. Pois é, acredite, há pessoas que sofrem por fobia de felicidade. Ela é uma dessas, faz uma espécie de autossabotagem quando está feliz com alguém, começa a criar um medo sobre o que irá acontecer daqui a uma hora ou no mês que vem. Pergunta pra si: “O que ele viu em mim?”. E acha que não tem nada que possa prendê-lo e que o faça ficar. Sente-se insegura e com raiva, mas sente raiva dele, porque ele vai deixá-la. Ela acredita nisso. Depois discorda de algo que ele diz e fica irritada quando ele sorri. Acredita que aquele sorriso irá embora. Acredita que um dia, ele irá embora. E antes mesmo que isso aconteça, ela o manda sair.

 

Conhecer alguém bem é maravilhoso

Conhecer alguém bem é algo maravilhoso. Eu não tô falando de saber o filme, gênero musical e comidas preferidas, isso nós descobrimos em algumas stalkeadas ou com perguntas no Curious Cat. Eu digo sobre saber que a pessoa gosta de cinema, mas prefere assistir filme na fileira H cadeira 8. É saber que seu filme preferido é “Se7en: os sete crimes capitais”, mas que ela assiste a “Questão de Tempo” toda vez que está triste. É saber que ela ama Legião, mas prefere ouvir “Por Enquanto” na voz da Cássia Eller. Porém se irrita quando alguém diz que a música é dela. É saber que ela sabe todos os erros e falas do Renato Russo no álbum “Como é que se diz eu te amo”. É saber que ela discorda, rebate ou desconversa ao invés de agradecer um elogio. É saber distinguir seu riso espontâneo de uma risada forçada ou controlada. É entender pelas suas expressões faciais que ela está preocupada com algo. É saber que quando ela passa a mão direita no cabelo quer dizer que ela está tímida, mas quando passa a esquerda está desconfortável. Conhecer alguém bem vai muito além de perguntas e respostas sobre o que a pessoa gosta ou que não gosta. Na verdade, conhecer alguém bem é a ausência de perguntas.

Se apaixonar depois de tanto tempo é como dirigir numa mão inversa

Nós evitamos tanto não se envolver e não se apegar por causa de experiências antigas, que quando isso acontece, depois de muito tempo evitando, não sabemos como agir. É como se fossemos um motorista num local estranho sem saber pra onde ir e qual via pegar. O GPS está desatualizado. Somos um motorista primeira viagem indo dirigir em Londres. Sabemos dirigir, mas não dessa forma, não numa mão inversa. Temos que aprender novamente. E o mesmo acontece com o amor.

Coisa de Mulher

Mulher é assim, amigo: você tem que entender o que ela quis dizer e não o que ela falou. Mas não é “tão simples” assim, você também tem que entender o que ela não fala. Tem que decifrá-la. Porque elas querem alguém que as conheça bem, mas, ao mesmo tempo, temem quando isso acontece. Imagina o quão assustador deve ser alguém te conhecer tão bem, que interprete o seu olhar e entenda até o que você não quis falar. Sentirão prazer e ficarão receosas pelo mesmo motivo. Serão momentos de: “Não foi isso. Você entendeu errado” com outros de: “Você me conhece bem, deveria ter percebido”.

Não se cura um amor com outro amor

“Só esquece um amor com outro amor”, era isso que eu sempre ouvia dizer, então saía a procura de amores pela noite. Queria esquecê-la! Mas acho mesmo que estava era procurando-a. Procurando-a em cada beijo e em cada corpo que eu experimentava. Era uma procura em vão. A cada beijo eu descobria que ninguém beijava igual a ela, a cada noite com outra pessoa eu percebia que dificilmente eu teria noites como as que tive com ela. Algumas vezes encontrava seu perfume em outra moça. E quando sentia esse perfume minha noite acabava. Aquele perfume era Ela. Aquele perfume trazia de volta todas as lembranças dela. Naquele momento eu percebia que não se cura um amor com outro amor. O amor é como um vício e não se cura um vício com outro.