Não confunda

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No sétimo dia, Deus foi ao cinema

Sou uma pessoa feliz, não digo totalmente feliz, porque como cantava Raul “ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”. É que têm dias que acordo entediado e sentindo uma nostalgia poética de algo que eu não vivi. Ou talvez seja apenas alguma crise depressiva digna de “arianos”, mas nos dias que acordo assim preciso me distrair. E quando isso acontece, numa terça-feira chuvosa, o que temos pra fazer em Brasília? Acertou quem disse shopping ou cinema. Compro então alguma coisa, geralmente livros. Depois vou ao cinema. Procuro a sessão mais vazia de um filme que quero assistir. Cinema é uma arte que deve ser bem aproveitada. Quem gosta de cinema sabe disso. Algo me diz que no sétimo dia, quando Deus foi descansar e esfriar a cabeça, pelo trabalho de criar um mundo problemático, Ele pegou uma sessão vazia no cinema, comprou um combo grande de pipoca e refrigerante e depois aplaudiu Al Pacino ao final de Scarface.

A culpa não é minha

Nós temos uma mania de nos livrarmos da culpa. Culpamos o trânsito ou despertador pelo nosso atraso, culpamos as 24 horas do dia ou calendário por não nos ajudar na nossa programação. Agimos da mesma forma em nossos relacionamentos. Culpamos, muitas vezes, o outro por nossos erros ou usamos as ações deles pra justificarmos as nossas reações.
Nós somos tão acostumamos a nos desfazer da culpa, que não percebemos que podemos ser os principais culpados. Dificilmente vamos ouvir: “Eu traí porque quis.”, geralmente ouve-se: “Se meu relacionamento estivesse bom eu não teria traído.”. Mentira! Você traiu porque quis. Foi carência, tesão, vaidade, mas a culpa é sua, não dela(e).
Nós somos acomodados com nossos defeitos, eles nós suportamos, mas não conseguimos suportar o dos outros. Temos sempre que dar uma desculpa pra nossa falta de sensibilidade e hombridade. Nós não gostamos da sensação de culpa, por isso, nos livramos dela. E no final de um relacionamento, é pior. Não queremos aceitar que a culpa por não ter dado certo seja nossa, e, acabamos culpando o outro. O pior é que nos acostumamos com isso.

P.S.: Eu queria dizer que a culpa desse texto não é minha.

Crime e sentença

– Por que você tenta esconder tanto os teus sentimentos?
– Porque se eu mostra-los você irá me machucar.
– Não irei.
– Irá.
– Não é minha intenção te machucar.
– Sem intenção também machuca, e, às vezes, de uma maneira pior. Não é como andar de skate, aonde estamos sujeitos a cair e machucar, é como estar andando alegre e distraidamente pela casa e acertar o dedinho em um móvel. Foi sem intenção, mas da mesma forma doeu e por ser inesperado é ainda pior.
– Parece ser crime gostar de alguém.
– Não é crime! Crime nós cometemos. Conhecer alguém de quem podemos gostar é um crime. Gostar de alguém está mais pra um sentença. Uma sentença sofrida por nós mesmos.

Insistindo por medo

(…)
– Por que a gente insiste em fazer isso?
– O quê?
– Dar sempre mais uma oportunidade pra quem já teve todas possíveis.
– Nós somos acomodados e temos uma dificuldade enorme em mudar, insistimos no mesmo relacionamento que deu errado várias vezes, por medo de mudança, por conhecermos a pessoa, porque, ultimamente, conhecer uma nova pessoa e entrar num novo relacionamento, é tão complicado quanto permanecer em um.

Foi o pior melhor relacionamento

Era o primeiro relacionamento sério de ambos. Era a primeira vez que ambos estavam realmente apaixonados. Era um namoro cheio de sonhos e planos, ainda que com duas pessoas iniciando realmente a vida. Não sabíamos a dimensão do mundo, nem as surpresas da vida e muito menos como ela iria nos agredir. Tínhamos uma visão poética do mundo, do futuro e de nós mesmos. Vivemos tudo que uma relação assim tem direito. Amor, confiança, sexo, brigas, términos, voltas, traições, insegurança, desejo, ciúme, medo, paixão. Namoramos por cerca de cinco anos, com muitas inconstâncias e frustrações. Frustrações proporcionais ao aprendizado que tivemos. Tivemos as dificuldades de um namoro a distância. Tivemos um período de amor proibido. Tivemos um período em que parecíamos casados que moravam nas casas dos pais. Amamos, sofremos, choramos. Tudo com intensidade. Nos decepcionamos e nos magoamos mais do que qualquer outro namoro ou paixão que estivesse por vir. Foi a primeira vez que nos sentimos magoados, iludidos ou frustrados numa relação. Foi o aprendizado pra todas as próximas. Foram as primeiras vezes a sentir tais sentimentos. Era como descobrir um mundo nunca explorado por nós. Foi uma relação de sentimentos primordiais. Foi a pior relação. Foi a melhor relação. Hoje, podemos até termos as mesmas emoções, mas não os mesmos sentimentos, se são maiores ou menores agora, são dos aprendizados que essa nos trouxe.

Reflexo de uma geração

Tenho me sentido muito impotente. Sinto-me como se estivesse velho demais pra recomeçar e jovem demais pra desistir de tudo. Sinto que preciso de uma guinada, uma mudança. Quero algo diferente. Porém sinto que com o passar dos anos me tornei um velho de pouca idade. Sinto-me engessado e temendo por mudanças. Estou acomodado e hoje represento bem a geração em que fui criado. Sinto-me preso a um presente que eu não quis, mas aos poucos fui me acomodando.