Relacionamentos são como dar flores a alguém e nós mesmos nos tornarmos responsáveis por regá-la todos os dias!

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A culpa não é minha

Nós temos uma mania de nos livrarmos da culpa. Culpamos o trânsito ou despertador pelo nosso atraso, culpamos as 24 horas do dia ou calendário por não nos ajudar na nossa programação. Agimos da mesma forma em nossos relacionamentos. Culpamos, muitas vezes, o outro por nossos erros ou usamos as ações deles pra justificarmos as nossas reações.
Nós somos tão acostumamos a nos desfazer da culpa, que não percebemos que podemos ser os principais culpados. Dificilmente vamos ouvir: “Eu traí porque quis.”, geralmente ouve-se: “Se meu relacionamento estivesse bom eu não teria traído.”. Mentira! Você traiu porque quis. Foi carência, tesão, vaidade, mas a culpa é sua, não dela(e).
Nós somos acomodados com nossos defeitos, eles nós suportamos, mas não conseguimos suportar o dos outros. Temos sempre que dar uma desculpa pra nossa falta de sensibilidade e hombridade. Nós não gostamos da sensação de culpa, por isso, nos livramos dela. E no final de um relacionamento, é pior. Não queremos aceitar que a culpa por não ter dado certo seja nossa, e, acabamos culpando o outro. O pior é que nos acostumamos com isso.

P.S.: Eu queria dizer que a culpa desse texto não é minha.

Talvez faltassem alguns requisitos

– Você ainda pensa nela?
– Sim, mas raramente.
– E sente falta?
– Também. Ela é uma pessoa divertida, inteligente, instigante, e sempre, sempre pensando de forma positiva, parece nunca acordar triste, sem contar que é linda e o sexo…
– Entendi. Interrompeu.
– Formávamos um belo casal, mas não éramos casáveis.
– Casáveis?
– É, acredito que algumas pessoas não são casáveis.
Ela fez silêncio, enquanto ele prosseguiu:
– O casamento sofreu muito com o passar do tempo, antigamente, casar era quase que um negócio: A família negociava a filha pra se tornar esposa de alguém, tinha o dote, o dinheiro e infelizmente não podiam separar, porque a época não permitia o desquite.
– E hoje?
– Calma! Um tempo depois, o casamento envolveu amor, curiosamente, bem na época que começaram as traduções em grande escala de Romeu e Julieta. Nessa época, as mulheres batiam o pé, fugiam com seus amantes, queriam casar por amor, serem felizes, terem filhos e etc. Esses casamentos davam mais certos que os atuais.
Ela concordou com a cabeça. 
– Mas hoje, os casamentos viraram negócios, não como antigamente, acho que piores. A maioria das pessoas esqueceram o amor, casam por requisitos: “Ele é inteligente, tem um bom emprego e estabilidade financeira”, “Gosto dele, não o amo, mas dizem que aprendemos a amar, né?”. Pouco tempo depois eles se separam e procuram outros, com outros requisitos, pra se adaptarem as suas novas necessidades. Casamento hoje é uma espécie de emprego, você fica um tempo e se você não gostar ou não for bem-sucedido, você procura outro.
Ela refletiu um pouco e perguntou:
– E por que vocês não são casáveis?
– Talvez faltassem alguns requisitos.
 

Insistindo por medo

(…)
– Por que a gente insiste em fazer isso?
– O quê?
– Dar sempre mais uma oportunidade pra quem já teve todas possíveis.
– Nós somos acomodados e temos uma dificuldade enorme em mudar, insistimos no mesmo relacionamento que deu errado várias vezes, por medo de mudança, por conhecermos a pessoa, porque, ultimamente, conhecer uma nova pessoa e entrar num novo relacionamento, é tão complicado quanto permanecer em um.

Foi o pior melhor relacionamento

Era o primeiro relacionamento sério de ambos. Era a primeira vez que ambos estavam realmente apaixonados. Era um namoro cheio de sonhos e planos, ainda que com duas pessoas iniciando realmente a vida. Não sabíamos a dimensão do mundo, nem as surpresas da vida e muito menos como ela iria nos agredir. Tínhamos uma visão poética do mundo, do futuro e de nós mesmos. Vivemos tudo que uma relação assim tem direito. Amor, confiança, sexo, brigas, términos, voltas, traições, insegurança, desejo, ciúme, medo, paixão. Namoramos por cerca de cinco anos, com muitas inconstâncias e frustrações. Frustrações proporcionais ao aprendizado que tivemos. Tivemos as dificuldades de um namoro a distância. Tivemos um período de amor proibido. Tivemos um período em que parecíamos casados que moravam nas casas dos pais. Amamos, sofremos, choramos. Tudo com intensidade. Nos decepcionamos e nos magoamos mais do que qualquer outro namoro ou paixão que estivesse por vir. Foi a primeira vez que nos sentimos magoados, iludidos ou frustrados numa relação. Foi o aprendizado pra todas as próximas. Foram as primeiras vezes a sentir tais sentimentos. Era como descobrir um mundo nunca explorado por nós. Foi uma relação de sentimentos primordiais. Foi a pior relação. Foi a melhor relação. Hoje, podemos até termos as mesmas emoções, mas não os mesmos sentimentos, se são maiores ou menores agora, são dos aprendizados que essa nos trouxe.

Então, ela apareceu…

Nós vamos mudando aos poucos, até nos tornarmos totalmente estranhos para nós mesmos.
Até alguns meses atrás, eu era um insensível, daqueles que fugiam de relacionamentos por conta de um péssimo histórico. Eu discursava contra amor e qualquer coisa relacionada a ele. Eu amava o casual. Noites casuais, pessoas casuais, camas casuais…
Eu era do tipo que saía, sorrateiramente, no meio da noite. Andando na ponta dos dedos, apenas pra não dizer aquelas mentiras de praxes, sobre querer repetir a noite.
Eu evitava relacionamentos ou qualquer coisa que parecesse ou pudesse se tornar um. Algumas pessoas tentaram, foram persuasivas e persistentes. E quando eu me tocava estava no quinto encontro ou com o fim de semana programado, e sem perceber, eu fugia. Deixava o telefone tocar. Demorava pra responder uma mensagem. Dava aquelas desculpas com mentiras sinceras de quem não quer compromisso.
Às vezes, eu não precisava de desculpas, elas me encontravam acompanhado, ou num barzinho, naquele dia que eu disse que ficaria em casa. Fugia delas de forma consciente, inconsciente ou com uma forma de olhos mais bonitos.
Sempre mostrei de início que não queria me apegar, mesmo assim é inevitável o sofrimento de alguém. Não é você, sou eu. E a vida foi seguindo.
Eu frequentava boates e barzinhos apenas pelo prazer da conversa ou do ambiente. Passava a noite entre conversas e goles de uísque puro. Sorria, discordava, acenava ao garçom e então mais uma noite terminava.
Eu estava acomodado com a vida de solteiro. Sem essa necessidade de ter alguém. Eu me bastava. Eu me sentia bem. Já não era mais o Thomas da Gabi do Direito e nem da Manu de Psicologia. Era apenas o Thomas.
Então, ela apareceu, não foi em nenhum dia excepcional ou atípico, era um dia comum, desses que nem o clima mostra que algo diferente está prestes a acontecer. E com uma conversa simples e despretensiosa, nós trocamos sorrisos, dividimos gostos em comum e repulsas também, discordando em outros pontos. Os gostos em comum se tornaram atrativos para futuras conversas. As trocas de filmes, livros e músicas começaram. E com o jeito meio tímido, meio tô entrando, ela se encaixou nos meus horários e eu nos dela.
Meu discurso tinha mudado, eu que abominava relacionamentos me encontrava num. Torcendo que fosse diferente.

Se apaixonar depois de tanto tempo é como dirigir numa mão inversa

Nós evitamos tanto não se envolver e não se apegar por causa de experiências antigas, que quando isso acontece, depois de muito tempo evitando, não sabemos como agir. É como se fossemos um motorista num local estranho sem saber pra onde ir e qual via pegar. O GPS está desatualizado. Somos um motorista primeira viagem indo dirigir em Londres. Sabemos dirigir, mas não dessa forma, não numa mão inversa. Temos que aprender novamente. E o mesmo acontece com o amor.

Como o orgulho fala besteira quando se cala

Eu não estava ali, não psicologicamente. Eu não parava de pensar Nela e na ligação que ela me fez horas antes para falar exatamente um pouco mais que quase nada. Perguntou como eu estava e eu disse que estava bem. Menti. Refiz a pergunta e ela também disse que estava bem. Acredito que também tenha mentido. Depois procurou algumas palavras pra dizer e certamente já tinha se arrependido por ter ligado. Fiquei calado, apenas calado, e como o orgulho fala besteira quando se cala. Pra acabar a nossa tortura e o silêncio cortante eu disse que estava chegando ao trabalho. Nos despedimos expressando praticamente só o vazio do silêncio e esperando que o outro entendesse as palavras difíceis de ser ditas.