Desculpas de antemão

Antes de começarmos isso, eu quero te pedir desculpas de antemão. Acredite, o que mais quero é te ver feliz. Mas sei que errarei várias vezes contigo. É que sou tão complicado e imperfeito, que errarei por insegurança minha. Pois a acho tão perfeita, linda, inteligente, atraente e divertida, que acabarei me enrolando.
Peço desculpas também pelo ciúme bobo, que pode ocorrer algumas vezes, mas é só as outras pessoas entenderem que és minha. Não, eu não sou tão possessivo assim, sou apenas um pouco egoísta quando o assunto é você. E se te chamo de minha pequena, é por achar que o pequena soa melhor acompanhado do “minha”.
Peço que não se assuste quando me pegar fazendo planos ou me ver escolhendo em qual praia iremos casar num domingo de manhã. Também não ache que seja prematuro eu escolher o nome do nosso casal de filhos. É que sou assim, intenso demais e quando entro num relacionamento, espero que seja sem prazo de validade.

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Será complicado

Assim como você, eu estou vendo os filmes que me indicou, lendo os livros que me emprestou e ouvindo aquela banda que você me mostrou, e digo, que isso vai acabar sendo um tremendo problema para nós dois. Será complicado, quando eu decorar os diálogos do seu filme preferido, e ao assisti-lo, você lembrar de mim. Será complicado, quando aquele livro que me indicou, se tornar uma espécie de bíblia pra mim ou quando o meu escritor favorito estiver nas legendas de suas fotos no Instagram. Será extremamente complicado, quando aquela banda que você me apresentou se tornar a minha banda favorita, e aquela música que ouvi primeiro, e depois te enviei perguntando se você já tinha escutado, se tornar a nossa música.
E quando, depois de tanto tempo, nós nos esbarrarmos num show deles e nossa música tocar, mas estivermos compartilhando com outra pessoa ao lado, será extremamente difícil e complicado!
Então, se você não tem certeza se vai permanecer muito tempo em minha vida, me faça o favor de me indicar livros ruins, filmes péssimos e músicas piores. É mais fácil esquecer uma pessoa pela qual não temos boas recordações.

 

Relacionamentos não são uma ciência exata

Relacionamentos não são uma ciência exata “Use a fórmula, se você não errar os cálculos, dá certo”. Não! Os relacionamentos não são assim. Cada relacionamento é diferente, são como uma aula de gramática, cheia de regras e exceções, e cada relacionamento tem uma regra e/ou exceção diferente. Relacionamentos são palavras parecidas com sentidos diferentes. Relacionamentos são como o uso da vírgula, e cada escritor tem uma opinião diferente quanto ao seu uso, mas, quando num relacionamento as pessoas têm uma opinião diferente quanto ao uso da vírgula, elas preferem o ponto final.

Você acredita em alma gêmea?

– Você acredita em alma gêmea? Ela me perguntou.
– Não! Eu disse de maneira rápida.
Ela me achou um pouco ríspido e logo retrucou: – Você me diz que é um romântico e não acredita em alma gêmea.
– Sou um romântico sensato. Eu falei.
– Sensato? Ela perguntou.
– Sim! Suponhamos que alma gêmea exista, seria muita pretensão que com bilhões de habitantes na Terra, a minha alma gêmea estivesse nascido no mesmo país que eu, e, seria uma pretensão maior ainda, que eu fosse conhecê-la. Eu não acredito que exista, mas se existe, é provável que a minha é chinesa, senão for, ela é fabricada lá, no mínimo.
– E no que você acredita então, senhor romântico? Ela perguntou com ironia.
– Acredito em pessoas que se esforçam, porque pessoas perfeitas não existem, todas têm defeitos, alguns incorrigíveis ou insuportáveis. Porque gostar de alguém é algo fácil, o difícil é continuar gostando depois de conhecê-la melhor. Pois quando nos apaixonamos é algo rápido, mas um dia a paixão acaba e, é nesse momento, que ela pode ou não se transformar em amor, depende de você; se permitir sentir ou não, se quiser se doar ou não.

A culpa não é minha

Nós temos uma mania de nos livrarmos da culpa. Culpamos o trânsito ou despertador pelo nosso atraso, culpamos as 24 horas do dia ou calendário por não nos ajudar na nossa programação. Agimos da mesma forma em nossos relacionamentos. Culpamos, muitas vezes, o outro por nossos erros ou usamos as ações deles pra justificarmos as nossas reações.
Nós somos tão acostumamos a nos desfazer da culpa, que não percebemos que podemos ser os principais culpados. Dificilmente vamos ouvir: “Eu traí porque quis.”, geralmente ouve-se: “Se meu relacionamento estivesse bom eu não teria traído.”. Mentira! Você traiu porque quis. Foi carência, tesão, vaidade, mas a culpa é sua, não dela(e).
Nós somos acomodados com nossos defeitos, eles nós suportamos, mas não conseguimos suportar o dos outros. Temos sempre que dar uma desculpa pra nossa falta de sensibilidade e hombridade. Nós não gostamos da sensação de culpa, por isso, nos livramos dela. E no final de um relacionamento, é pior. Não queremos aceitar que a culpa por não ter dado certo seja nossa, e, acabamos culpando o outro. O pior é que nos acostumamos com isso.

P.S.: Eu queria dizer que a culpa desse texto não é minha.

Talvez faltassem alguns requisitos

– Você ainda pensa nela?
– Sim, mas raramente.
– E sente falta?
– Também. Ela é uma pessoa divertida, inteligente, instigante, e sempre, sempre pensando de forma positiva, parece nunca acordar triste, sem contar que é linda e o sexo…
– Entendi. Interrompeu.
– Formávamos um belo casal, mas não éramos casáveis.
– Casáveis?
– É, acredito que algumas pessoas não são casáveis.
Ela fez silêncio, enquanto ele prosseguiu:
– O casamento sofreu muito com o passar do tempo, antigamente, casar era quase que um negócio: A família negociava a filha pra se tornar esposa de alguém, tinha o dote, o dinheiro e infelizmente não podiam separar, porque a época não permitia o desquite.
– E hoje?
– Calma! Um tempo depois, o casamento envolveu amor, curiosamente, bem na época que começaram as traduções em grande escala de Romeu e Julieta. Nessa época, as mulheres batiam o pé, fugiam com seus amantes, queriam casar por amor, serem felizes, terem filhos e etc. Esses casamentos davam mais certos que os atuais.
Ela concordou com a cabeça. 
– Mas hoje, os casamentos viraram negócios, não como antigamente, acho que piores. A maioria das pessoas esqueceram o amor, casam por requisitos: “Ele é inteligente, tem um bom emprego e estabilidade financeira”, “Gosto dele, não o amo, mas dizem que aprendemos a amar, né?”. Pouco tempo depois eles se separam e procuram outros, com outros requisitos, pra se adaptarem as suas novas necessidades. Casamento hoje é uma espécie de emprego, você fica um tempo e se você não gostar ou não for bem-sucedido, você procura outro.
Ela refletiu um pouco e perguntou:
– E por que vocês não são casáveis?
– Talvez faltassem alguns requisitos.
 

Insistindo por medo

(…)
– Por que a gente insiste em fazer isso?
– O quê?
– Dar sempre mais uma oportunidade pra quem já teve todas possíveis.
– Nós somos acomodados e temos uma dificuldade enorme em mudar, insistimos no mesmo relacionamento que deu errado várias vezes, por medo de mudança, por conhecermos a pessoa, porque, ultimamente, conhecer uma nova pessoa e entrar num novo relacionamento, é tão complicado quanto permanecer em um.

Foi o pior melhor relacionamento

Era o primeiro relacionamento sério de ambos. Era a primeira vez que ambos estavam realmente apaixonados. Era um namoro cheio de sonhos e planos, ainda que com duas pessoas iniciando realmente a vida. Não sabíamos a dimensão do mundo, nem as surpresas da vida e muito menos como ela iria nos agredir. Tínhamos uma visão poética do mundo, do futuro e de nós mesmos. Vivemos tudo que uma relação assim tem direito. Amor, confiança, sexo, brigas, términos, voltas, traições, insegurança, desejo, ciúme, medo, paixão. Namoramos por cerca de cinco anos, com muitas inconstâncias e frustrações. Frustrações proporcionais ao aprendizado que tivemos. Tivemos as dificuldades de um namoro a distância. Tivemos um período de amor proibido. Tivemos um período em que parecíamos casados que moravam nas casas dos pais. Amamos, sofremos, choramos. Tudo com intensidade. Nos decepcionamos e nos magoamos mais do que qualquer outro namoro ou paixão que estivesse por vir. Foi a primeira vez que nos sentimos magoados, iludidos ou frustrados numa relação. Foi o aprendizado pra todas as próximas. Foram as primeiras vezes a sentir tais sentimentos. Era como descobrir um mundo nunca explorado por nós. Foi uma relação de sentimentos primordiais. Foi a pior relação. Foi a melhor relação. Hoje, podemos até termos as mesmas emoções, mas não os mesmos sentimentos, se são maiores ou menores agora, são dos aprendizados que essa nos trouxe.