Conflitos

“Senão” junto
“Se não” separado
Por vezes confundo
Às vezes me atrapalho
Uso o junto
Quando o certo é separado
Estamos separados
Quando o certo é juntos

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O que sobra é o silêncio

Ela gritava
Eu esbravejava
A TV ligada
O Maracanã todo cantava

De repente, tudo estava mudo
Ela ficou em silêncio
Eu fazia eco das suas palavras
O Maracanã lotado
Na TV, estava silenciado

A porta se abriu
O som de fora voltou
A porta bateu
O silêncio novamente reinou

Eu continuava mudo
Ela agora estava no mundo

Tinha me perdido

“Eu preciso de um tempo”
“Tá tudo muito confuso”
“E nós meio que…”

“Acabado?”
Perguntei.

“Não!”
“Não sei.”
“Talvez.”
“Me dê espaço.”

Acatei.
Me distanciei.

O tempo passou.
Pra ela o tempo acabou.
Então me chamou.

Tinha me perdido.

Mais uma vez o orgulho venceu

Eu sei, que assim como eu, você também segura o celular em mãos esperando ansiosamente que ele toque ou esperando ter coragem para me ligar. Estamos uns dias sem nos falarmos, por conta; de uma briga que o motivo eu não lembro mais. Ciúmes? Mentira? O que era mesmo? Talvez nem você se lembre, mas não estamos nos falamos.
E eu não te ligo e digo o porquê, porque meu orgulho diz que eu estava certo, mas também és orgulhosa e não vai me ligar porque não assume estar errada. Ou será que é o oposto? Somos orgulhosos! Sentimos saudades e até esquecemos o motivo da briga, mas não conseguimos esquecer nosso orgulho.

Não vá, fica!

Eu seguro o celular em mãos, esperando que ele vibre ou tenha alguma notificação sua. Torço que apareça seu nome numa chamada fora de hora. Espero em vão. Eu te afastei, te afastei por medo de ter você perto. Conheço-me bem e sei que não seria bom o suficiente, que acabaria te decepcionando cedo ou tarde. Porém, quando pedi pra se afastar e me esquecer, eu implorava que entendesse o oposto. É que apesar de parecer forte, eu dizia em silêncio: “Não vá, fica! Eu não sou forte e sentirei muita sua falta.” Igual estou sentindo agora.

Ainda é cedo

Ela escuta e canta no volume máximo aquele CD da Legião Urbana. Aquele mesmo que era meu, mas que ela não me devolveu após o término. Quando pergunto sobre, ela sorri e responde: “Ele eu não devolvo, ele é presente”. Ela se auto presenteou com aquele CD. Eu posso até pega-lo de volta, mas o CD já faz parte dela. Tem decorada todas as músicas, falas e até os erros do Renato Russo. Canta junto com ele cada verso, erra, quando ele erra e engrossa a voz pra chegar ao mesmo tom. E quando escuta a nossa música, chora, e como chora, naquela versão de “Ainda é Cedo*” que dura quase dez minutos.

Ainda é Cedo* As quatro estações – ao vivo; disco 2; faixa 1.